Pesquisa x plágio
Érica Cristina Bispo


Em tempos de globalização, internet, mundo sem fronteiras, o saber a um clique de distância, temos muito perto a possibilidade de dizer que é somos autores de algo que, na verdade, não é nosso, mas isso se chama plágio. O dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 1.0 define “plágio” como “apresentação feita por alguém, como de sua própria autoria, de trabalho, obra intelectual etc. produzido por outrem”. Por exemplo, se eu pusesse aqui a definição de “plágio”, retirada do dicionário, como se fosse minha, seria plágio.

Eu sei que é um tanto pesado dizer isso, mas a “pesquisa” tradicionalmente apresentada durante a vida escolar anterior ao nível superior é plágio. Até o final do ensino médio, entende-se “pesquisa” como a cópia de um conteúdo acerca do assunto-tema. Contudo, a definição de “pesquisa”, no mesmo dicionário Houaiss, é “conjunto de atividades que têm por finalidade a descoberta de novos conhecimentos no domínio científico, literário, artístico etc.”. Ou seja, a pesquisa demanda busca e seleção de informações, não se limita apenas a copiar; afinal, o objetivo da pesquisa é o aprendizado, se houver apenas cópia, não se aprenderá nada.

A fim de preservar o direito do autor e funcionar para a comunidade acadêmica, a lei 9610, de 1998, que versa sobre o direito autoral, define o que é ou não uso legal de trabalho alheio. Em seu artigo 46, a lei afirma que “Não constitui ofensa aos direitos autorais [...] a reprodução, em um só exemplar, de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro; a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer outro meio de comunicação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra” (artigo 46, incisos II e III). Em outras palavras, não há mal nenhum em ler o que os outros escreveram, mas é necessário indicar de quem é a autoria.

Para terminar, quero contar um fato que aconteceu em meu primeiro período de faculdade, a disciplina era Lingüística I. O trabalho final era uma pequena monografia em grupo (o conceito é complicado, eu sei) acerca dos assuntos discutidos no semestre. Um dos grupos (não o meu) foi reprovado por plágio. A história foi a seguinte: alunos calouros, que não se conheciam, nem conheciam mais ninguém, precisavam fazer o trabalho, o prazo era curto. Uma daquelas estudantes que nunca aparecem na faculdade estava no grupo e “apareceu” com o trabalho pronto na véspera da entrega. Que mal há em entregar o trabalho? Está pronto! Temos tantas outras coisas a fazer. Mas o trabalho era plagiado... O grupo ficou com nota zero... E todos aprendemos com isso...
 


*Érica Cristina Bispo é bacharela, licenciada e mestra em Letras Vernáculas pela UFRJ e professora da Secretaria do Estado de Educação do Rio de Janeiro.

 

 
 
 


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