Meu amigo veterano
Érica Cristina Bispo


            Entrar para a universidade foi a realização do primeiro grande sonho da vida. Depois de estudar pelo menos um ano de maneira exaustiva, ser aprovado em uma não menos cansativa maratona de provas, ler seu nome no jornal ou ver na internet que você está entre um dos classificados é maravilhoso! Comigo também foi assim. Meu nome é Luciano Vital, e em 1997 fui aprovado no vestibular para Direito em duas universidades públicas.

            Depois do êxtase da aprovação no vestibular vêm as descobertas de um calouro. Quando comecei meu curso prometi a mim mesmo que aproveitaria ao máximo todos os anos de minha graduação. O trote, as aulas, os professores, os colegas, as festas, enfim, tudo! No entanto, o que mais me despertou a atenção no início da faculdade foram os veteranos. Como calouro eu queria, o mais rápido possível, deixar de ser um aluno do ensino médio para me tornar um autêntico universitário e, para isso, os veteranos eram o modelo perfeito! Mas todo calouro aprende que estar com os veteranos não é tão simples. Passado o trote, eu comecei a me enturmar e a me engajar nessa nova vida!

            Foi nessa época em que eu conheci o Fábio, um veterano que depois veio a se tornar meu melhor amigo. No dia 06/05/1997 (é impossível esquecer essa data!) eu o encontrei no bandejão da universidade com outros colegas e engatamos num papo animado. Conversa vai, conversa vem, ele e uma amiga disseram que iam estudar a Bíblia e convidaram a mim e a uma colega de turma que também estava à mesa. O meu primeiro sentimento àquele convite foi de surpresa. Estudar a Bíblia na universidade era no mínimo inusitado. No lugar onde tudo é questionado e debatido, gastar tempo com algo que vem de igreja e está cheio de proibições retrógradas parecia algo que não se encaixava! Contudo, apesar da surpresa inicial, era inegável que Fábio e sua amiga Beatriz eram diferentes. Diferentes de mim e também de muitos outros veteranos. A alegria, o entusiasmo e a simplicidade deles me instigavam e, por isso, eu e minha colega aceitamos o convite.

            Minutos depois, estávamos nós quatro sentados no jardim do campus e eu ouvia atentamente cada palavra. A conversa ia me cativando e me conquistando a cada momento. Mas o que mais me chamou atenção na conversa foi perceber que, por mais que eu me considerasse um cara legal, não fizesse mal a ninguém; até mesmo, me preocupasse em ajudar aqueles que eram mais carentes que eu, tudo isso, diante da grandeza de Jesus era pequeno. E nada disso podia comprar o favor d’Ele. Na verdade, quando eu ouvi que a gente só pode ser salvo pela graça, que vem por meio da fé em Cristo, que coisa alguma que eu fizesse, por melhor e mais altruísta que fosse não alcançaria a Deus, eu me convenci de que eu precisava de Jesus. Ou seja, nada que eu faça me fará merecedor o suficiente do favor de Deus. Só a graça, que é o favor imerecido de Deus. Mas o conflito que se instalou dentro de mim se resumia a uma só palavra: Como? Eu acreditava em tantas coisas desde pequeno... será que era possível mudar, será que valeria à pena? Então, o Fábio leu uma frase de Jesus registrada na Bíblia que me marcou: “Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta eu entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo”. O próprio Jesus, a pessoa mais importante que já esteve na face da Terra, naquele momento batia à porta do meu coração e aguardava meu convite para entrar. Finalmente tomei a decisão que me pareceu a mais lógica e racional e ao mesmo tempo mais sentimental e emotiva, convidei Jesus para entrar em minha vida. Assim, saí dali com duas certezas. A primeira é Jesus tinha se tornado Senhor e Salvador da minha vida. E a segunda é que todo universitário também precisa ter essa certeza.

            É interessante que durante a vida vão surgindo muitos questionamentos, dúvidas e incertezas, e construímos, muitas vezes, a falsa idéia de que o estudo e uma conseqüente carreira podem suprir essas lacunas. Pelo contrário, o vazio que eu tinha em meu coração, a insegurança que muitas vezes rondava minha alma e os medos que atravessavam minha mente não foram respondidos pela religião, pela ciência, pela filosofia, ou mesmo pelos relacionamentos amorosos. A resposta certa, exata e definitiva veio através de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo, que eu comecei a desenvolver naquela tarde de outono.

Daquele dia em diante eu e meu novo amigo veterano passamos a nos encontrar periodicamente para estudarmos a Bíblia e a cada dia eu aprendia mais, o que enriqueceu meu relacionamento pessoal com Cristo. Ele fazia parte do Movimento Estudantil Alfa e mega, do qual logo depois eu também comecei a participar.

Tudo isso foi há quase dez anos, muita coisa mudou. Hoje eu sou um funcionário do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e me casei com uma colega de faculdade, que também conversou com meu amigo veterano e tomou a mesma decisão que eu. Entretanto, uma coisa não mudou desde aquele dia: Jesus faz parte da minha vida e eu experimento da sua graça, mesmo não merecendo, mas só porque eu tomei uma decisão de pôr minha fé e confiança n’Ele.

 

 
 
 


AG || FUTURO